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EM SOL MENOR

EM SOL MENOR

Dia 130

Maio 10, 2021

Circulava de bicicleta pelo bairro, na esperança de ver alguém conhecido ou alguém que o chamasse para conviver. Os grupos já formados porque ia passando riam-se dele, pediam-lhe para sacar cavalinhos sabendo-o incapaz. Ele tentava sempre, mas nunca conseguia. Pedalava até se cansar, incapaz de distinguir uma hora de um segundo. Se no café estivesse a dona Ana, abrandava e cumprimentava-a, na esperança que ela o chamasse e lhe pagasse um gelado. Continuava depois, imune à chuva, montado no objecto mais importante que possuía. Continuava até estar demasiado escuro, sabendo que ninguém o aguardava em casa: mesmo que o pai lá estivesse, não daria pela sua falta. Sonhava ter lá a mãe para refilar com ele, para lhe fazer o jantar, para lhe cortar o cabelo, para lhe dobrar a roupa, para lhe fazer a cama quando se deitasse. Voltava então a casa, e nos lábios levava o sabor a fome ou, num dia bom, a Perna de Pau.

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