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EM SOL MENOR

EM SOL MENOR

Dia 129

Maio 09, 2021

Conhecia-o desde criança, e sempre que o via passar imaginava-o uma personagem de literatura. Tinha os braços pesados e andava em marcha lenta, carregado pelo passado; os olhos, sempre semicerrados. Metia medo à generalidade das crianças, mas em mim só gerava interesse. Como uma boa personagem, não tinha de ser apreciável para se tornar interessante. Não precisava de sentir que ele era bom para gostar dele, a cara fechada e a maldade que lhe gabavam fazia-me tão bem à imaginação como a bondade. Os maus são tantas vezes boas personagens, só precisando para isso que sejam interessantes, que tenham hábitos e atitudes diferentes das que seriam expectáveis Os que agem sempre na normalidade, não passam de um aborrecimento, sejam bons ou maus. A beleza está na falha, na falta de perfeição, na incerteza de julgamento. Cada vez que o via passar, em criança, imaginava mil cenários sem nunca ter a certeza de em qual ele se enquadraria, e isso maravilhava-me.

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