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EM SOL MENOR

EM SOL MENOR

Dia 124

Maio 04, 2021

O avô tentava ler-lhe todas as noites, mas a meio mudava de história, de repente a história era a dele, da sua meninice que era tão diferente da dela, nem imaginas o que era viver sem ecrãs, tão libertador, os ecrãs são uma prisão, tu olhas e o teu corpo pára, não tens por onde fugir, a culpa não é tua, e depois voltava para si, para quando corria no campo atrás das vacas, com dez anos era o terror dos animais, corria e agarrava-se a eles, o medo dos adultos e dos animais a contrastar com a falta dele no corpo daquela criança morena e magra, tão magra que hoje julgariam subnutrido, mas era só feliz, lembra-se tão bem, hoje que é velho lembra-se mais de ser criança do que de ser adulto, lembra-se mais da sua infância do que da dos filhos, um adulto não tem tempo na vida para criar memórias, e em criança não tem outra coisa senão esse tempo, por isso vai, vai com os teus amigos, vai subir às árvores, vai correr pelas muralhas, vai fazer tudo o que te apeteça enquanto podes, mas não digas à tua mãe que eu disse isto.

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